Para mim e o Miguel, meu irmão, a fazenda era o paraíso.
Íamos para lá nas férias de verão e também das de inverno. Na época, final dos
anos 50 e início dos 60, não era fácil chegar. A atual BR 116, na época
Rio-Bahia, não tinha asfalto na maior parte. A viagem levava dois dias, sem
possibilidade de se prever a chegada. Mal tempo, pneu furado, carro fervendo,
eram as ocorrências aleatórias que nos atrasavam. Saindo do Rio cedo, dormíamos
em Muriaé, Realeza, ou Abre Campo. Na época de chuvas, no verão, a partir de
Abre Campo, a atual BR 362, que na época era uma estradinha de interior, ficava
um atoleiro só. Vovô mandava um carro de boi para nos esperar por lá. A última
fase da viagem levava quase um dia inteiro, deitados nos colchões de palha que
forravam o carro.
Todos estes perrengues não nos desanimavam. Talvez fizessem
parte do fascínio que contagiava os meninos da Tijuca – eu e meu irmão – nas
viagens pelo interior da terra de nossos pais, e na expectativa de encontrar
com nossos primos.
Na noite que precedia a viagem eu não conseguia dormir de
tão excitado. Uma vez, de madrugada, vendo que o tempo não passava no relógio
na cabeceira da cama de meus pais, resolvi antecipar o horário marcado para
eles acordarem. De 7:00 passei o alarme para 6:45 hs. Voltei para cama, sem
conseguir dormir, e retornei ao despertador, na ponta dos pés, marcando 6:30
hs. E assim, de pouquinho em pouquinho, nem imagino que horário o despertador
tocou. Pela fúria do meu pai, só sei que foi muito cedo.
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