Cássio e Miguel (o Miguelzinho para os primos) eram muito
amigos. Em uma temporada ficaram na Ponte Queimada e iam à noite para a cidade,
a cavalo.
Consta que fizeram aposta para ver quem demorava mais tempo para
tomar banho. Pelo menos as calças, ficaram um bom tempo vendo água apenas de
chuva.
Por esta época o Miguel se tomou de amores pela Helena, que
apareceu em Rio Casca, parece que vindo de férias, de Niterói, onde morava. Nem
sei se deu namoro, mas uma paquera, sem a pegação atual.
Nós morávamos em Salvador, onde o pai comandava a base
aérea. Passada as férias, um dia chega uma carta da Helena para o Miguel. Não consegui
ignorar, e dei um jeito de ler, sem ele saber. Nada de muito sensacional, exceto
o cabeçalho: “Estimado Miguelzinho”.
Na época fazia sucesso a música italiana Il Mondo. Não me
aguentei, e fiz uma paródia com a seguinte letra:
“Imundo
Ah, se tudo isto é por falta de carinho,
Que sente agora o Estimado Miguelzinho,
Que em protesto empesteia os caminhos.
Gira o mundo gira, sem tomar um parco banho,
Sem lavar suas orelhas,
Com um cheiro meio estranho,
Sem saber se vale a pena,
Sofrer tanto por Helena.
Imundo, não toma banho há uma semana,
Que cheiro estranho ele emana,
Até parece um gambá”.
Miguel era bom astral. Até achou graça, como todos da casa.
Não gostou de eu ter lido a carta da Helena. E menos ainda quando, de retorno nas férias seguintes a Rio Casca, cantei esta música para ela. Coisa de irmãos, que apesar destas
estocadas, se amavam muito.
Nesse "causo" estava também o Léo amigo do Miguel. Era férias de julho e fazia frio na fazenda. Lembro que quando chegavam à noite eram proibidos de tirarem o sapato. O chulé era algo indescritível.
ResponderExcluirLania