domingo, 28 de janeiro de 2018

Sá Peninha - contribuição do Afonso e da Magaly

Recordo- me bem da Sapeninha ( ou Sá Peninha). Era uma velhinha de 82 anos muito curvada e de cabelos brancos.
Ela tinha um irmão de leite, um velhinho de cabelos e barba branca como algodão que a visitava constantemente. Como vcs sabem, irmão de leite era filho de uma escrava que amamentava e cuidava do filho da mesma idade do seu proprietário. O irmão de leite era considerado um tipo de irmão e tratado como tal.
Sá Peninha sentava na escadaria da casa da fazenda com ele e lá ficavam conversando sobre as pessoas que eles conheciam. Eu apenas os observava com curiosidade de criança. Quando ele partia, ele sempre levava consigo uma sacola de alimento que Sá Peninha preparava para ele. Recordo-me de vê-lo partir pela estrada meio encurvado e apoiado no bastão.
Mesmo criança eu ficava impressionado como um velhinho como ele podia fazer aquele trajeto longo pela estrada com o fim de visitar a minha bisavó. Este velhinho morreu tragicamente atropelado quando caminhava pela estrada de ferro de Rio Casca.
Sá Peninha teve 3 filhos: a nossa avó, Maricota, Mariquita e o mais jovem de todo, um  rapaz problemático e muito mimado. Ele vivia as turras com a mãe e numa delas o irmão de Sá Peninha interveio e o rapaz atirou no tio.
Em função deste incidente, o  tio perdeu a perna e o rapaz fugiu para bem longe. Sá Peninha nunca mais o viu e chorava sempre quando alguém mencionava o seu nome. Este rapaz morreu muito tempo depois de uma febre que abateu sobre a região.(Afonso)

Papai tinha verdadeira paixão por Sá Peninha. Dizia que era boníssima e muito querida.  Mas ele tinha pavor da Dindinha Antônia.
Contava que quando esta morreu ele tinha queimado a mão num ferro de marcar cavalo e alguém “apertou” a mão dele no velório. Ele começou a chorar desesperado de dor e todos achavam que era pela perda da avó... (Magaly)

Tenho um certo remorso relacionado à Sá Peninha. Ela já bem velhinha ficava todo dia no quarto do corredor que levava à cozinha ao lado do famoso relógio. Depois que ela morreu, passei a ocupar este quarto com o Miguel. Mas não é esta a razão do remorso.
É que quando passava pelo corredor ela sempre chamava, mandava entrar e perguntava meu nome, de quem era filho, e ia por aí. Se passasse 3 vezes, eram as mesmas perguntas.
Por isto, passei a andar por ali em silêncio, e disparava na correria antes que fosse chamado. Quando meu pai comentou que foi a pessoa mais bondosa que conheceu, comecei a achar que deveria ter sido mais atencioso. Que a pobre velhinha queria apenas companhia.

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