O neto mais velho do vovô acho que era o Zé de Alencar,
irmão da Matil e filho da Tia Cristina e do tio Alencar.
O Zé de Alencar tinha fama de maluco. Era, pelo que me
contaram, uma espécie de Unabomber, que se dedicava a explodir as privadas dos
banheiros dos infelizes colégios que o aceitavam como aluno interno.
Quando não se ocupava em estourar latrinas, usava talentos
insuspeitados de eletricista. Uma de suas “obras” era puxar a eletricidade de
seu quarto para um fio e deixa-lo de prontidão. Quando o chefe de disciplina ia
ao seu quarto, certamente para uma bronca, ele encostava o fio na maçaneta de
metal. Um dia um padre do colégio ficou grudado bom tempo na maçaneta sendo
eletrocutado.
Por causa destes procedimentos, não era muito bem-vindo nos
colégios do Rio e parece que teve que ir para Minas, tocar terror. Provavelmente
hoje seria confundido com um terrorista árabe.
Quem lê estas estórias, que não sei até onde são verdades,
vai achar que o Zé era uma pessoa agressiva, “revoltosa” (como se diz no
interior). Mas ele era um doce de pessoa. Houve época em que esteve internado
no Colégio Batista do Rio de Janeiro, na Tijuca, perto de onde morávamos. Muitos
domingos ele ia lá para casa e nunca esquecia de levar um pacote de balas para
Magaly, que era pequena.
Uma vez fomos, Miguel, ele e eu, a um cinema perto da Praça
Saez Peña. Era um filme de bang-bang, super agitado, com tiros, lutas, guerras
de índios e cowboys, etc. Miguel e eu estávamos concentrados no filme quando
olhamos para o primo ao nosso lado: ele estava dormindo profundamente, apesar
de todo tiroteio. Motivo de muitas risadas entre nós.
Muito anos depois ele apareceu com um amigo de carro na
fazenda. Eu já era adolescente. Era amigo da Dodora, irmã da Anabela. Dodora,
que morava em BH, começou a circular conosco pelo interior de Rio Casca e Ponte
Nova, querendo comprar antiguidades. Eu, de olho na Anabela, ia junto. Creio
que Afonso e Elisa iam também às vezes. O carro era grande, não havia estas
leis de trânsito com exigência de cintos de segurança. Creio que muitas vezes
éramos uns 8 no carro.
Um dos roteiros nos levou à Usina Jatiboca, em Ponte Nova,
que pertenceria à parte rica da família, segundo informaram. Uma senhora, muito
distinta, nos recebeu e nos serviu o inevitável cafezinho passado na hora. E
servido em xícaras que pareciam importadas, tais as filigranas que tinham.
Coisa muito fina!
Creio que todos ficamos nervosos com tanta “finesse”, mas o
Afonso mais que todos: quando recebeu a xícara a mão tremeu e lá foi ela ser
despedaçada no chão. O Afonso não precisa muito esforço para ficar vermelho, e
se houvesse um buraco teria se metido nele. Ficamos todos muito constrangidos
na hora, mas quando no carro, já mais distante da Jatiboca, as gargalhadas
duraram até chegarmos perto de Rio Casca.
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